Há outras cores mais quentes que o Azul

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Bom, confesso que sou bem clichê muitas vezes, entretanto, não esperava um fim maniqueísta em “Azul é a cor mais quente”. A descoberta do amor, da atração, dos toques, das emoções, dos olhares são destaques principais desse filme. Tem cenas de sexo explícito sim, mas são cenas reais, muito bem produzidas que demonstram a trajetória de um amor como qualquer outro.
Ouvi diversas críticas negativas pontuando que o filme é lento e há partes desnecessárias. Não achei nada desnecessário. Atualmente, estamos acostumados a resumos, sínteses, produções curtas e afetos breves. O tempo tornou-se nosso inimigo e não estamos acostumados a “perder” tempo com momentos. A tecnologia nos garante uma otimização de tudo, mas não podemos criticar um filme nessa linha de pensamento. O cinema francês tem essa característica de “lentidão”. Eu, particularmente, aprecio bastante e dou valor aos momentos sinceros. 
O filme abordou o preconceito de uma forma artificial, criando diálogos absurdos e que não remetem a realidade. Apesar disso, a intenção foi válida. Além disso, o modo como os personagens alimentam-se não foi dos melhores. Comem de boca aberta, falam com a boca cheia. Nojeira pura. Não sei como realizo um saldo de tudo isso. Quem aprecia cinema francês já é meio caminho andado para assistir, quem não, não é uma boa escolha.

(Vitória M)


Versos Íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

(Augusto dos Anjos)


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